ARCEL recebe GATA com “Nova lenda de Simão Cavaleiro”
É já no próximo dia 22 de Maio que a ARCEL tem a honra e o prazer de receber a mais recente produção teatral do GATA, Grupo Amador de teatro de Almagreira (Pombal), com quem o nosso grupo de teatro tem mantido intercâmbio, por intermédio de Martinho Soares, encenador da ARCÉNICA e do GATA, grupo que ajudou a fundar há dez anos na Freguesia de onde é natural. Mais informações, fotografias e notícias sobre a peça e o GATA em:
http://www.facebook.com/grupo.amador.teatro.almagreira.GATA
A nova lenda de Simão Cavaleiro é a peça de teatro que o Grupo Amador de Teatro de Almagreira (GATA) preparou para festejar o seu décimo aniversário. O grupo iniciou-se há dez anos com uma brincadeira de férias que consistiu na recriação de uma lenda local em torno da figura de Simão Cavaleiro, tendo com esse exercício atingido um inesperado êxito que culminou na criação do GATA. Dez anos volvidos, decidimos regressar à figura que nos trouxe a aclamação popular. Desta feita, já não com o mesmo argumento e encenação, que a experiência e um olhar renovado nos mostram como demasiado lineares e simplistas. Queremos que esta nova recriação da lenda de Simão Cavaleiro seja o espelho do percurso efectuado ao longo destes anos. Continuamos a ser, sem dúvida, teatro amador, mas elevámos a fasquia, quer em termos de argumento quer em termos de encenação e representação. O próprio investimento económico é dez vezes superior ao primeiro. O grupo de teatro também ganhou uma nova fisionomia, restando apenas um elemento da formação original. Para além da integração de novos elementos da Freguesia de Almagreira, ficou extremamente enriquecido com a entrada de pessoas oriundas de vários pontos do concelho de Pombal: Pelariga, Pousadas Vedras, Anços, Vermoil, Castelhanas.
A personagem de Simão Cavaleiro, de quem em bom rigor pouco se sabe, povoou o imaginário da população da Freguesia de Almagreira nos últimos dois séculos. O seu nome era usado para amedrontar as crianças ou para alimentar histórias mórbidas e medonhas entre o povo. Diz-se que Simão Cavaleiro percorria as aldeias a cavalo, semeando o pânico entre os populares, porque invadia as casas, pilhava a seu bel-prazer sem qualquer tipo de oposição e inspirava um profundo terror, sendo uma figura que passou para a posteridade como símbolo do medo e do mal. É ponto assente que era um ladrão ou salteador. Se assaltava apenas a mala-posta ou também as casas, não há consenso, mas a maioria inclina-se para a segunda versão.
Quanto ao seu destino, vigoram duas versões, uma mais popular e outra mais plausível. A mais corrente é que foi morto de noite pelos populares, que lhe estenderam uma corda na estrada, quando vinha descendo a galope no seu cavalo, e foi enterrado num local onde nunca mais cresceu mato. No entanto, há também quem diga que foi assassinado pelos seus comparsas de quadrilha, com quem não quis partilhar os despojos de um assalto à mala-posta e que foi enterrado junto a uma figueira, no adro da Igreja, por não ser digno de nela entrar, mesmo morto. A versão do GATA apoia-se nestes dados mas envolve-os numa trama maior e mais complexa, situando Simão Cavaleiro um século depois da sua provável existência. Pretendemos, deste modo, não só encontrar uma explicação romanceada para a malvadez de Simão Cavaleiro e o seu ódio ao povo, mas, ao mesmo tempo, aproveitando o centenário da República, associar-nos à efeméride. A nossa história começa em 1890, ano em que o partido republicano começou a ganhar a influência nacional, sobretudo em Lisboa e no Porto, que o havia de conduzir à deposição da Monarquia.
Esta peça tem tudo o que uma boa história deve ter: intriga, romance, peripécias e humor; sem descurar a vertente informativa e reflexiva. Para além de pintar um cenário histórico e etnográfico com factos e tradições do passado, reflecte questões intemporais como as tensões políticas e sociais e o modus vivendi do nosso povo nas suas relações entre si e com o poder. Tudo isto servido por um bom naipe de actores e músicos que dão brilho e realismo a esta peça que ninguém vai querer perder.



